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DATA: 24 de Agosto de 2012 das 19h às 21h30
LOCAL: Livraria Cultura - Loja de Artes no Conjunto Nacional
ENDEREÇO: Av. Paulista, 2073, São Paulo - SP
O AUTOR
Thiago Sogayar Bechara é um jovem autor que já escreveu quatro livros. Para 2012, além da biografia de Carlos Paraná, estão previstos os trabalhos que o autor desenvolveu em torno da arte circense em parceria com outros autores, e a biografia “Cida Moreira: A Dona das Canções”, também pela Imprensa Oficial, que edita a já consagrada Coleção Aplauso.
Após três anos dedicando-se à minuciosa reconstituição da trajetória artística e pessoal do compositor Luiz Carlos Paraná (1932-1970), o poeta e jornalista Thiago Sogayar Bechara anuncia o lançamento do seu livro biográfico “Luiz Carlos Paraná: O Boêmio do Leite” no dia 24 de agosto de 2012 das 19h às 21h30 na Livraria Cultura (Loja de Artes) do Conjunto Nacional em São Paulo.
O assunto não é novidade na carreira do jovem escritor, que vem se dedicando a perfis de artistas como as atrizes Imara Reis, Claudia Alencar e a cantora Cida Moreira com a perspectiva de resgatar nomes importantes da nossa cultura.
Desta vez, se aprofunda nas razões históricas pelas quais o Brasil ficou conhecido por seus próprios habitantes como um “país sem memória”, tomando como exemplo o caso de esquecimento do compositor agora relembrado.
Para compor sua última obra o autor realizou entrevista com mais de 100 pessoas, dentre elas, Julio Medaglia, Inezita Barroso, Paulo Vanzolini, Pena Branca, Chico Anysio, Léo Vaz, Ubiratan Lustosa, Mario Edson, Ana Maria Brandão e Pedro Miguel.
ASSUNTOS INTERESSANTES PARA ENTREVISTA
1) BANHEIRO PRÉ-PORNOGRAFADO
Em 1968, O Jogral se mudou do seu primeiro endereço (Galeria Metrópole) para a rua Avanhandava, em frente à atual pizzaria da Família Mancini. No novo endereço, antes da inauguração, Carlos Paraná teve o seguinte pensamento: “Bom, já que é inevitável que pessoas escrevam frases pornográficas nas portas e paredes dos banheiros, a solução é entrar na brincadeira e inaugurar o bar com o banheiro já pré-pornografado. Assim, antes que escrevam coisas apenas grosseiras, a gente escreve coisas próprias para um banheiro, mas espirituosas e inteligentes”. Dessa maneira, não apenas frases engraçadas foram escritas (“Estamos aqui para o que der e vier, mas, principalmente para o que vier e der” ou então “Não insista, colega. A última gota é da... cueca”), mas irreverentes e até de intelectuais (“De tanto ver triunfar as nulidades, vamos acabar aderindo”). O Jogral tinha espírito até no banheiro.
2) DESAFIOS E IMPROVISOS
Um dos pontos altos do Jogral, sobretudo no seu primeiro endereço, entre 1965 e 1968, eram os desafios caipiras entre Carlos Paraná e Paulo Vanzolini. Com seu lado humorístico definitivamente bastante desenvolvido apesar de seu temperamento mais recluso, Carlos Paraná fazia com que todo o bar se divertisse com suas imitações de artistas como o ator português Raul Solnado, com sotaque luso, ou então modas nordestinas. “De repente, manipulando o anticlímax com segurança, anunciava, falando como em Portugal se fala: ‘E agora, alguns pensamentos filosóficos: entre morcegos e ratos/ chegou-se lá a conclusão/ de que o morcego é um rato/ que entrou pra aviação. E outro: Joaquim abriu um restaurante/ teve um prejuízo colosso/ porque das onze às catorze/ Joaquim fechava pro almoço. E mais outro: Maria da Graça é uma/ cachopa d´olhos em brasa/ mora sozinha e não fuma/ mas tem cinzeiros em casa. Uma música de Paulo Vanzolini, ‘Capoeira do Arnaldo’ (...), fazia tal sucesso que o Carlos só a cantava noite adiantada para segurar a freguesia” (Trecho do livro de Marcus Pereira, “A História de O Jogral”, página 11).
3) TRIO MOCOTÓ, ORIGEM DO NOME
Desta vez, se aprofunda nas razões históricas pelas quais o Brasil ficou conhecido por seus próprios habitantes como um “país sem memória”, tomando como exemplo o caso de esquecimento do compositor agora relembrado.
Para compor sua última obra o autor realizou entrevista com mais de 100 pessoas, dentre elas, Julio Medaglia, Inezita Barroso, Paulo Vanzolini, Pena Branca, Chico Anysio, Léo Vaz, Ubiratan Lustosa, Mario Edson, Ana Maria Brandão e Pedro Miguel.
ASSUNTOS INTERESSANTES PARA ENTREVISTA
1) BANHEIRO PRÉ-PORNOGRAFADO
Em 1968, O Jogral se mudou do seu primeiro endereço (Galeria Metrópole) para a rua Avanhandava, em frente à atual pizzaria da Família Mancini. No novo endereço, antes da inauguração, Carlos Paraná teve o seguinte pensamento: “Bom, já que é inevitável que pessoas escrevam frases pornográficas nas portas e paredes dos banheiros, a solução é entrar na brincadeira e inaugurar o bar com o banheiro já pré-pornografado. Assim, antes que escrevam coisas apenas grosseiras, a gente escreve coisas próprias para um banheiro, mas espirituosas e inteligentes”. Dessa maneira, não apenas frases engraçadas foram escritas (“Estamos aqui para o que der e vier, mas, principalmente para o que vier e der” ou então “Não insista, colega. A última gota é da... cueca”), mas irreverentes e até de intelectuais (“De tanto ver triunfar as nulidades, vamos acabar aderindo”). O Jogral tinha espírito até no banheiro.
2) DESAFIOS E IMPROVISOS
Um dos pontos altos do Jogral, sobretudo no seu primeiro endereço, entre 1965 e 1968, eram os desafios caipiras entre Carlos Paraná e Paulo Vanzolini. Com seu lado humorístico definitivamente bastante desenvolvido apesar de seu temperamento mais recluso, Carlos Paraná fazia com que todo o bar se divertisse com suas imitações de artistas como o ator português Raul Solnado, com sotaque luso, ou então modas nordestinas. “De repente, manipulando o anticlímax com segurança, anunciava, falando como em Portugal se fala: ‘E agora, alguns pensamentos filosóficos: entre morcegos e ratos/ chegou-se lá a conclusão/ de que o morcego é um rato/ que entrou pra aviação. E outro: Joaquim abriu um restaurante/ teve um prejuízo colosso/ porque das onze às catorze/ Joaquim fechava pro almoço. E mais outro: Maria da Graça é uma/ cachopa d´olhos em brasa/ mora sozinha e não fuma/ mas tem cinzeiros em casa. Uma música de Paulo Vanzolini, ‘Capoeira do Arnaldo’ (...), fazia tal sucesso que o Carlos só a cantava noite adiantada para segurar a freguesia” (Trecho do livro de Marcus Pereira, “A História de O Jogral”, página 11).
3) TRIO MOCOTÓ, ORIGEM DO NOME
Já na fase da rua Avanhandava, o bar O Jogral passou a contar com um elenco grande de artistas contratados que se revezavam das 19h até o sol raiar naquele pequeno espaço com um piano e um palquinho no canto. Um desses nomes/ grupos que, inclusive, nasceram artisticamente na casa noturna de Carlos Paraná, foi o afamado e reconhecido Trio Mocotó, que até hoje nos brinda com sua levada de samba-rock, que por tantos anos acompanhou Jorge Bem, outro grande amigo de Paraná. O nome do trio é um caso curioso. Consta que todas as vezes que a namorada de um dos integrantes do grupo entrava no bar, logo alguém anunciava discretamente: “Olha o mocotó”, fazendo alusão maliciosa à beleza das pernas bem torneadas da moça. Muitos não sabiam que no Rio se usava este termo para designar tal parte do corpo feminino. Não é preciso dizer que muito rapidamente o apelido se popularizou como uma gíria jogralesca e sempre que alguma mulher bonita entrava na casa, todos logo se animavam dizendo: Olha o mocotóóóóó!!!!! A ponto de até a musa inspiradora do apelido ficar sabendo da história e a brincadeira se socializar. A coisa tomou uma proporção tal, que até Jorge Bem compôs uma canção inspirada no caso, que foi logo batizada de “Eu também quero mocotó”, defendida por Erlon Chaves e a Banda Veneno, no Festival Internacional da Canção, em 1970. Daí nasceu o nome do grupo, cria de Carlos Paraná, que, segundo o próprio, saiu do Jogral direto para Cannes, como um grupo instrumental internacional e bastante respeitado até os dias de hoje, composto por Joãozinho Parahyba, Fritz e Nereu.
4) JOÃO GILBERTO E O TÁXI.
Certa vez, com Luiz já morando em São Paulo, João Gilberto e ele saíram de taxi pela cidade para conseguirem conversar em paz e matar as saudades dos tempos em que foram companheiros de quarto numa pensão em Copacabana nos anos 1950. João já era um ídolo, Paraná ainda cantava em inferninhos, e mesmo de madrugada, havia poucos lugares onde pudessem prosear sem serem interrompidos por fãs. “O senhor nos leve na rua das Palmeiras, onde canta o sabiá!”. Essa beleza de verso foi dita por João ao taxista, e assim os dois saíram pela noite paulistana. Não queriam ir a lugar nenhum. Uma hora, como um turista qualquer, João pediu ao motorista que os levasse a algum lugar onde houvesse mulheres. Quando o papo já estava engatilhado, o taxi parou e anunciou: “Olha aí, as mulheres!”. “Ah, sim!”, respondia. Estavam na Boca do Lixo, em frente a um edifício com mulheres apinhadas na porta, e, para não decepcionar o motorista, João desceu e foi até lá conversar com elas. Voltou debaixo de palavrões. Segundo o depoimento escrito pelo próprio Paraná: “É que João não reparava onde pisar com sua poesia. Conversava comigo, com o motorista e com a prostituta no mesmo Tom em que conversava com Vinícius (desculpe o trocadilho, mas já que saiu, deixa ficar)”.
Sobre o quarto dividido pelos dois amigos em Copacabana, Luiz relembrou no mesmo texto: “Fora parar naquele apartamento de Copacabana, onde ficaria sendo o 14º inquilino, em busca de um violão emprestado, com o qual gravaria, no dia seguinte, algumas faixas com Elisete Cardoso, naquele LP antológico [Canção do amor demais, 1958]. Já começava a fazer escola, mas ainda não tinha violão e levaria muito tempo para ter um, se é que agora tem. Um dia, já em São Paulo, veio buscar o meu mais uma vez, para cantar no programa de entrega dos prêmios CHICO VIOLA. Quando chegou a sua vez, apareceu tocando num violão diferente. O meu ele tinha acabado de quebrar na cabeça do Tito Madi”, conforme confirmou Ruy Castro em seu livro “Chega de saudade”.
Certa vez, com Luiz já morando em São Paulo, João Gilberto e ele saíram de taxi pela cidade para conseguirem conversar em paz e matar as saudades dos tempos em que foram companheiros de quarto numa pensão em Copacabana nos anos 1950. João já era um ídolo, Paraná ainda cantava em inferninhos, e mesmo de madrugada, havia poucos lugares onde pudessem prosear sem serem interrompidos por fãs. “O senhor nos leve na rua das Palmeiras, onde canta o sabiá!”. Essa beleza de verso foi dita por João ao taxista, e assim os dois saíram pela noite paulistana. Não queriam ir a lugar nenhum. Uma hora, como um turista qualquer, João pediu ao motorista que os levasse a algum lugar onde houvesse mulheres. Quando o papo já estava engatilhado, o taxi parou e anunciou: “Olha aí, as mulheres!”. “Ah, sim!”, respondia. Estavam na Boca do Lixo, em frente a um edifício com mulheres apinhadas na porta, e, para não decepcionar o motorista, João desceu e foi até lá conversar com elas. Voltou debaixo de palavrões. Segundo o depoimento escrito pelo próprio Paraná: “É que João não reparava onde pisar com sua poesia. Conversava comigo, com o motorista e com a prostituta no mesmo Tom em que conversava com Vinícius (desculpe o trocadilho, mas já que saiu, deixa ficar)”.
Sobre o quarto dividido pelos dois amigos em Copacabana, Luiz relembrou no mesmo texto: “Fora parar naquele apartamento de Copacabana, onde ficaria sendo o 14º inquilino, em busca de um violão emprestado, com o qual gravaria, no dia seguinte, algumas faixas com Elisete Cardoso, naquele LP antológico [Canção do amor demais, 1958]. Já começava a fazer escola, mas ainda não tinha violão e levaria muito tempo para ter um, se é que agora tem. Um dia, já em São Paulo, veio buscar o meu mais uma vez, para cantar no programa de entrega dos prêmios CHICO VIOLA. Quando chegou a sua vez, apareceu tocando num violão diferente. O meu ele tinha acabado de quebrar na cabeça do Tito Madi”, conforme confirmou Ruy Castro em seu livro “Chega de saudade”.

